quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Em terra de minhoca, macarronada é suruba...

Hoje nevou...Meio cedo para nevar, nem estamos em Novembro ainda...Muito frio, mas vocês podem imaginar como o tonto aqui ficou ao ver sua primeira neve, né???Parece "Raspadinha" caindo caindo do céu. Só que sem groselha e leite condensado. Infelizmente...
Bom, mas estava eu a reclamar do frio, quando a Andrea, uma menina que mora aqui na república disse o que eu ouvi muitas vezes já. "Não existe tempo ruim. O que existe é roupa ruim.". Bom, isso bem que é verdade, pois agora que eu tenho um tênis de inverno, impermeável, tudo ficou melhor. Vocês não sabem como é ruim ter o tênis molhado e sua meia ensopada, num tempo de 0 ou 1 grau.
Mas o que me fez escrever esse tópico são outros ditados alemães. Os alemães são um povo que, bem como os brasileiros, utilizam muitos ditados. Eu sempre gostei de ditados, já que ouço muitos nas mesas dos tios e dos bares com meu pai e com meus tios. Então abaixo vai mais alguns deles:

- "Alle Menschen kacken braun" ("Todo mundo caga marrom"):
De fato!Todo mundo faz cocô marrom, mas o que eles querem dizer, como vocês perceberam, é que todos são iguais. Que não existe ninguém melhor que ninguém. Minha opinião?Esse é exatamente o tipo de coisa que todos ensinam mas que poucos aprendem.

- "Alles hat ein Ende, nur die Wurst hat zwei."
("Tudo tem um fim, menos a salsicha, que tem dois")
.
Dispensa explicações, né? Eu coloquei aqui porque é muito alemão esse ditado, engraçado demais!!!

-
"Auch ein blindes Huhn findet mal ein Korn"
. ("Até mesmo uma galinha cega acha o grão de milho").
Não estou certo a respeito desse ditado, mas acho que deve ter algo a ver com não subestimar as pessoas, ou não julgar "um livro pela capa". De todo jeito, eu escrevi aqui porque eu nunca tinha parado para pensar se uma galinha cega conseguia ou não achar o grão de milho. Na verdade, eu nunca nem havia pensado se uma galinha pode ficar cega.

- "Bier auf Wein, das lass sein; Wein auf Bier, das rat ich dir". ("Cerveja depois do vinho é desaconselhável. Vinho depois da cerveja, isso, sim, é aconselhável")
.
Tá legal, eu confesso. Esse não tem o menor sentido, senão o alcoólico. Eu coloquei aqui apenas para ilustrar as prioridades do povo alemão. Como eu já disse em uma outra postagem, não sou muito chegado em vinho, mas, sim, em cerveja. Por isso, devo concordar com esse.

-
"Glücklich ist, wer vergisst, was nicht mehr zu ändern ist." ("Feliz é aquele que esquece o que não pode mais ser mudado").
Esse é outro da série "Conselhos que todos dão, mas poucos aprendem". Realmente é mais fácil falar do que fazer, mas, com toda a certeza, é algo que deve ser levado em conta.

- "Der Apfel fällt nicht weit vom Baum". ("A maçã não cai longe do pé").
Esse aqui eu coloquei porque é bem similar a um que meu pai sempre diz: "O cavaco nunca cai longe da árvore".
Além do fato de isso me fazer lembrar do meu pai, o que já seria motivo suficiente para estar aqui, esse ditado quer dizer que, por exemplo, um filho nunca é muito diferente dos pais. Isso é bom de se ter em mente também.

- "Im Himmel gibt's kein Bier, d'rum trinken wir es hier". ("No Céu não há cerveja, por isso bebemos ela toda aqui").
Essa é outra que não precisa de comentários. Engraçada e verdadeira por si só. Também me faz lembrar de algumas pessoas.

- "Keine Antwort ist auch eine Antwort". ("Não responder também é uma resposta").
É o famoso "quem cala consente".

- "Gesund ist eine Person nur, wenn sie nicht ausreichend untersucht wurde". ("Pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada").
De novo eu tenho que concordar. Isso serve para várias pessoas. Tanto aquelas que vão muito ao médico e "caçam doenças" tanto para aquelas que nunca vão ao médico.

- "Ein Spatz in der Hand, ist besser als die Taube auf dem Dach". ("Um pássaro na mão é melhor que uma pomba no telhado").
É o equivalente ao "mais vale um passáro na mão do que dois voando". Mas mostra, também, que não são só os brasileiros que têm problema com os malditos pombos no telhado, com suas infernais "bazucas anais".

- "Wer die Musik bestellt hat, muss sie auch bezahlen". ("Quem pediu a música, também tem que pagar por ela").
Ilustra uma situação típica de restaurantes alemães, bem como em todo o mundo, onde se pede por uma música. Mas a moral da história é mais ou menos o nosso "Não tem almoço de graça".

- "Kein Haus ohne Tränen". ("Não há lar sem lágrimas").

Esse talvez seja o mais verdadeiro de todos os ditados que eu postei aqui. Não precisa de explicações também, já que todos sabem do que ele se trata.

Eu não posso esquecer de tentar traduzir para o alemão um que eu gosto muito, no Brasil. "Quem não bebe não vê o mundo girar". Tem alguns amigos meus que sabem a verdade por trás desse ditado.
Bom, por hoje foi isso. Conforme eu for descobrindo, e vivenciando, outros é capaz de eu ir postando aqui novamente.


sábado, 25 de outubro de 2008

Milão

Olá....cá estou de volta. Dessa vez para falar de Milão.
Como eu tinha dito anteriormente, eu fui para Milão ficar na casa do Alessandro. Ele teve que voltar pra casa para resolver uns prolemas da faculdade. Mas isso não importa. Vamos aos fatos. Milão fica há 6 horas de Tübingen, o que foi bem tranqüilo de fazer. A gente pegou um trem em Stuttgart e de lá fomos para Zurique e de Zurique para Milão. Essa segunda parte é feita com a empresa italiana de trens. E é incrível como se nota a diferença de cultura entre os dois povos (alemão e italiano) só pelo trem. Enquanto o trem alemão é extremamente limpo e silencioso, até mesmo um pouco vazio, o trem italiano é lotado de gente. Uma barulhera muito engraçada. Tinha até cachorro no trem italiano...tudo bem no esteriótipo que temos dos dois povos. Eu achei muito engraçado: A mãe gritando com o filho, o cachorro latindo, aqueles velhos com cara de mafioso (terno, chapéu e charuto), sujeira etc.
Ao chegar em Milão foi uma surpresa para mim. Sinceramente, a cidade é puro marketing. Não tem nada de especial. Quase nada, para ser justo. Há o Duomo (foto abaixo), o Castelo e o San Siro (estádio municipal conjunto do Inter de Milão e do Milan).



Vou comentar alguns mitos criados pelo Marketing sobre a cidade:
"A cidade é linda".
Para falar a mais pura verdade, a cidade em si é extremamente feia, suja e com um trânsito caótico. "Ora bolas, Victor, mas você mora em São Paulo...". Pois é, realmente vou para São Paulo todo os dias. E eu posso dizer que o tráfego é pior em São Paulo, mas não é tão caótico quanto em Milão. Lá as ruas não tem faixas, é uma bagunça. É carro cortando pra todo lado, as ruas são estreitas, é realmente perigoso. Mas tudo isso é de se esperar de uma cidade de 3 milhões de habitantes. Não sei porque as pessoas pensam diferente. E pior, as que já foram para lá continuam o "mito".
"Milão é um L-U-X-O".
Realmente isso é verdade. É tão verdade que uma simples cueca custa 70 euros na Vittorio Emanuelle, a rua chique. As pessoas falam isso como se fosse algo bom. Para mim qualquer pessoas disposta a pagar 70 euros (R$ 200) por uma cueca é uma besta. Não tinha que falar isso pra ninguém, tinha mais é que esconder esse fato.
"As pessoas são tão chiques"
De fato, mas isso também não é algo muito bom. Tanto é verdade que a úlima moda em Milão é usar óculos sem lentes. As pessoas usam lentes de contato e depois usam um óculos sem lente. As que não tem problemas de visão também. Isso é fashion. Pra mim isso é ridículo. Ainda mais ridículo quando se paga 300 euros por um óculos sem lentes. O que se pode fazer???
"O Duomo é fantástico".
Não poderia concordar mais. É realmente espantoso que algo desse tamanho e beleza tenha sido feito em 872. Impressionante. É amendrontador e fascinante ao mesmo tempo, exatamente como ele foi feito para ser.
"Os italianos são tão simpáticos".
Na verdade eu acho que só há um povo mais rude que os italianos: Os turcos (E, talvez, os argentinos. Mas como nunca fui pra argentina não posso falar). Mas isso é tema para outra postagem. Os italianos são extremamente sem educação e se acham os melhores. Especialmente os de Milão. Tanto é verdade que você pede algo no restaurante e o garçom briga com você, fala que você não sabe pedir, que aquela combinação de coisas que você pediu não serve. Mas que merda é essa???Se você tem a opção de combinar do seu jeito, ele não tem nada a ver com isso. Se não fosse assim, eles vendiam PF, que você não escolhe.
"A comida italiana é demais".
Fato!!!Muito boa mesmo!!!Você pode comer de tudo e é tudo em fartura e delicioso.
Bom, mas aconteceram coisas boas também. O bom é que eu estava com o Alessandro, e ele mora lá desde sempre, então ele só me levava nos lugares bons. Outro coisa boa foi a família dele. Depois de quase dois meses de Alemanha, foi bom ser recebido com um abraço e dois beijos (lá eles dão dois beijos). A mãe dele foi muito simpática e é uma senhora cozinheira. Comi muito bem lá também.
Fomos a bares, restaurantes, pontos turísticos, mas a parte que eu mais gostei foi, como era de se esperar, o estádio San Siro (Giuseppe Meazza). "O que são esses dois nomes, Victor?". O estádio era originalmente do Milan, e o nome era San Siro, nome de um capela próxima ao estádio.




Acontece que em 1936 o Milan vendeu o estádio para a prefeitura e passou a hospedar jogos dos dois times da cidade, Milan e Internazionale di Milano. Posteriormente o estádio foi rebatizado de Giuseppe Meazza, um jogador da Inter que também foi da seleção italiana durante os anos 30. Abaixo eu com o próprio, no museu do estádio.


Mas, como era de se esperar, os torcedores do Milan nunca admitiriam que seu time jogasse em um estádio com o nome de um craque do rival, então continuaram chamando de San Siro, nome mais famoso até hoje. Então nos jogos da Inter o estádio chama Giuseppe Meazza e nos jogos do Milan ele é chamado de San Siro.
O estádio tem também um vestiário para cada equipe. Abaixo seguem fotos dos dois vestiários. O do Milan é muito mais bonito e cheio de frescuras. Ah, só para fazer um firula, a foto que eu estou sentado, é na cadeira do Kaká. Mala, né???

Para finalizar, lá vão alguns fatos interessantes sobre Milão e Itália, em geral:
- Milão fica sobre um bolsão de água e eles precisam desperdiçar água, caso contrário acontece refluxo em todas as casas. Desse modo, há bicas de água potável por toda a cidade, muitas fontes e tudo o mais, para gastar a água sobressalente.
- Milão tem um problema sério de estacionamento. As construções não possuem estacionamento e os carros tem que estacionar nas ruas, que já não são grandes. É uma merda, as vezes se demora mais de uma hora para achar um lugar para estacionar, e longe de casa ainda;
- Os italianos demoram 5 minuto para responder sim ou não para qualquer pergunta. Como diria meu pai, eles "explicam até bom-dia";
- Eles discutem sobre todo, um dos dias havia umas 7 pessoas discutindo na entrada do prédio do Alessandro. Quando fomos ver o porquê, era apenas para ver se o calço de um porta estava fixado no lugar certo ou não;
- Todos os dias do ano tem nomes de santos, e todas as ruas também. Aliás, "tropeça-se" em uma capela a cada quarteirão;
- Ainda há muitos italianos que adoram o Mussolini, o poster dele é um dos mais vendidos na Itália (em oposição aos milhares de itens com o rosto do "Che" Guevara);
- Talvez a única coisa que tem mais do que capela é balada. Tem muitas baladas e bares pela cidade;
- Sabe-se que alguém é de Milão quando ao invés de "Catzo" (Caralho) esse alguém fala "Figa" (Buceta, desculpa mãe...);
- Os italianos adoram falar que falam inglês mas fois raríssimo achar alguém que, de fato, falasse;
- Milão é a ragião mais rica da Europa, ao contrário do que eu pensava, achando que era Mônaco;

E para finalizar, ao voltar de carro, percebe-se que se entrou na Alemanha quando você está na velocidade máxima da pista e passa por você alguns porsches, mercedez etc como se você estivesse à 60 km/h, obrigando você a andar a 140km/h (velocidade máxima) na faixa da direita.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ein Prosit der Gemütlichkeit

Bom, depois de um tempinho sem postar, lá vou eu. Aposto que vocês ficaram roendo as unhas de curiosidade pra saber o que aconteceu no Oktoberfest e em Milão, né???Claro que não. Mas mesmo assim eu vou contar.
Bom, na quinta-feira, dia 03 de Outubro, foi meu último dia de aula e partiríamos para Munique, onde o Oktoberfest é realizado, em um trem que saía às 13:03 (precisamente, com pontualidade germâminca hehehe). O trem demoraria 4 horas, o que signifcava que chegaríamos por volta das 5 horas na estação central de Munique, onde a gente pegaria um Golf Wagon, que já havíamos alugado. "Mas, Victor, por quê alugar um carro se vocês iriam de trem??". Calma, eu explico. Esse era o último fim de semana de Oktoberfest e por isso todos os albergues já estavam lotados. A outra opção era ficar em um hotel, que custava cerca de 50 euros por dia por cabeça, ou seja, não era uma opção. Mas, como somos muito inteligentes, resolvemos alugar um carro em Munique e dormir no carro. O aluguel do carro era 150 euros pelos 3 dias, ou seja, 50 euros por dia. Como estávamos em 5 pessoas, saíria 30 euros por pessoa, os três dias. Uma pechincha, não???
Ok, 5 pessoas em um carro é desconfortável, mas por apenas duas noites é totalmente suportável. Bom, voltando, o carro escolhido era um Golf Wagon, grande o bastante para dormir três pessoas na parte de trás do carro (os bancos de trás abaixados, liberando o porta mala) e uma em cada banco da frente. O aluguel do carro estava programado para às 18 horas daquele dia (lembrem que chegaríamos por volta das 17:00), mas eu não contava com um pequeno hábito dos italianos: Se atrasarem. Uma italiana, a Francesca, foi com a gente pra lá, e acontece que ela se atarsou e perde,os o trem das 13:00. Pegamos outro trem somente às 16:00, ou seja, chegamos na estação às 20:00. Eu queria matar ela, mas fazer o quê???Eu devia ter contado com isso quando planejei a viagem. Mas a Roda da Fortuna nunca pára de girar e dessa vez tivémos um pouco de sorte. Ao chegar no balcão e pegar o carro o cara me disse que o carro que eu tinha pedido não estava mais disponível. MERDA!!!Fiquei desesperado, pensando que teríamos que enfiar 5 pessoas em um Ka, ou alguma coisa do tipo. Mas ele disse que nos daria um "upgrade" (melhoria) e que poderíamos alugar um A4 Wagon pelo mesmo preço. Meu Deus...muita sorte. Pegamos esse carro mesmo e fomos retirar na garagem. Na verdade nem retiramos o carro do estacionamento, já que era um estacionamento fechado e quentinho. Dormimos as duas noites dentro do estacionamento mesmo. O carro era demais. Eu realmente não sou um fã de carros, mas esse era demais. Eu demorei uma meia hora só pra descobrir como ligava o carro. Ele não tinha chave, era um cartão, com controle de voz e tudo mais. Mas chega de falar do carro, estou aqui para contar do Oktoberfest.
Sinceramente, é o tipo de coisa que todo mundo deveria fazer ao menos uma vez na vida. É demais. A estação central estava lotada com pessoas vestidas com a roupa típica da Bavária (aquela roupinha ridícula que a gente pensa que os alemães vestem, homens com um macacãozinho de couro e as mulheres com aqueles vestidinhos). Aliás, que se abra um parênteses para esses vestidinhos (são chamados "Dirndl"). São a coisa mais inteligente para um Oktoberfest. Eles realmente jogam as Peitcholas das moças lá pra cima, deixa tudo arrebitadinho, como se não existisse gravidade. Muito espertos esses alemães!!!




Bom o Oktoberfest é como se fosse um parque de diversão. É um espaço amplo, com brinquedos (montanha-russa, torre-eiffel etc.), barracas de comida e, o mais importante, as tendas das cervejarias.



Essas tendas são enormes, com espaço para 3 ou 4 mil pessoas cada uma. Cada uma delas é patrocinada por uma marca de cerveja. Elas abrem às 9:00, mas para conseguir entrar tem que chegar por volta das 7:30. E lá estávamos nós (Eu, Isa, Lion, Thiago e Francesca), às 7:30, na fila para entrar.

No começo todos sentam, conversam baixo, comem uns Bretzels. A primeira coisa que eu pensei foi que isso ser realmente uma bosta. Mas acontece que de repente chegam as garçonetes com os copinhos de 1 litro de cerveja. Essas mulheres merecem toda a minha admiração. Elas carregam até 10 copinhos de cada vez, ou seja, elas levam cerca de 13kg no muque!!!Admirável.


Essa aí de cima era novinha, por isso tinha apenas 8. Mas tem umas senhoras, gordonas, com uns braços de dar medo, que levam os 10 copos. Realmente louvável. Aí o povo começa a beber, devagarinho, tudo meio silencioso e, de repente, chega a banda. Esse é o sinal. O povo já tá começando a ficar mamado, aí chega a bandinha e começa a tocar o verso-tema do Oktoberfest: "Ein Prosit, Ein Prosit der Gemütlichkeit", que quer dizer algo como "Um brinde, um brinde para o ambiente agradável". Aí a loucura começa. Todo mundo sobe nas mesas, cantando esse verso, se abraça, bebe junto, ri junto, paga cerveja pro outro. É realmente muito doido!!!Abaixo seguem duas fotos e um vídeo com o verso (pra vocês saberem a melodia).





Não é só essa música, claro. Eles tocam muitas outras, os caras da banda (tudo uns senhores respeitáveis com seus 50, 60 anos) bebem também, ficam bêbados, dão risada. É loucura. É lá dentro que o Oktoberfest acontece. Por isso que tem que chegar cedo. Em 20 minutos as tendas já estão lotadas, eles fecham a porta e resto do povo fica lá fora no suposto parque de diversão. A diversão mesmo acontece dentro das tendas!!!A gente ficou até às 18:00 lá, ou seja, quase 9 horas bebendo...
Eu aprendi algumas coisas pro resto da vida: Dormir em 5 pessoas em um carro, mesmo que grande, é horrível, mesmo estando bêbado; Os alemães não são tão frios quanto as pessoas acham; Beber às 9 da manhã parece horrível, mas faz com que você acabe de beber cedo; Tomar banho todos os dias é muito bom, mas não é essencial (Não se preocupem, não vou começar a "pular dia" só por causa disso. Foi uma questão de necessidade); Bêbado fala qualquer idioma (a gente conversou até com chinês que não falava alemão e nem inglês, e nos entendemos muito bem); Vestidinhos tradicionais podem ser realmente "sexies"; E, por fim, o álcool é a causa e a solução para todos os problemas do mundo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Borboleta e Homem-Bomba

Tem umas coisas que só acontecem comigo...
Ontem o pessoal do curso aqui resolveu ir ver uma Ópera. Chama Madame Butterfly, e conta a história de um oficial da marinha do Estados Unidos, que se apaixona por um Geicha, Cio-Cio San, conhecida como Butterfly (Borboleta, em inglês). Bom, o cara tem um filho com ela, volta pros Estados Unidos, deixa ela na mão, ela faz hara-kiri (suicídio) e tudo o mais. Tudo bem melodramático,lento e previsível demais pro meu gosto. Eu sempre achei que eu não ia gostar de Ópera, agora eu tenho certeza. O problema não é com a Ópera, é comigo. Eu não sou refinado. Eu não gosto de vinho, gosto de cerveja, não gosto de Ópera, prefiro um jogo de futebol. Fazer o quê? É parte da minha natureza. Tenho certeza que pessoas mais eruditas, refinadas (como o Pedro, por exemplo) iriam gostar. É um espetáculo bonito, as vozes são realmente espantosas, mas dura quatro horas, é um monotonia que não acaba mais. Mas eu tinha que conferir. Era obrigatório o uso de roupa social, então enverguei meu terno (eu teimei com a minha mãe que eu não precisava trazer um pra cá. Mais uma vez, ela estava certa. Nem sei porque eu ainda teimo com ela), e fomos para a Ópera de Stuttgart.
Bom, chegamos mais cedo na cidade, fui no Museu do Sttutgart (o time de futebol, bem legal o museu), e depois seguimos para a Ópera. No ônibus que estava nos levando, a coordenadora do curso estava mostrando alguns pontos turísticos e ela disse que Sttutgart é, das grandes cidades, a mais segura da Alemanha, que possui índices baixíssimos de violência (Façam uma anotação mental sobre esse dado. Ele é relevante adiante). No meio do caminho uma amiga nossa, a Francesca, ligou falando que ela tinha chegado na estação central mas não sabia como chegar na Ópera. Como eu e o Alessandro estávamos perto, fomos buscá-la. Estávamos andando na calçada, quando um homem, puta cara de Mohamed terrorista, nos aborda, em inglês, e pergunta quanto que se gasta para morar em Stuttgart. Muito estranho, né???Meu "sentido de aranha" brasileiro ficou em alerta. Tinha certeza que tinha algo muito errado. Eu estava certo que seríamos assaltados. Respondemos que se gasta por volta de 600 euros, se você for estudante. Aí ele perguntou de onde éramos. De novo, muito estranho. Aqui é bom fazer uma ressalva e dizer que os italianos são iguais aos brasileiros. Eu e o Alessandro nem nos olhamos mas mentimos descaradamente. Ele disse que era grego e eu disse que era colombiano (tentando botar um medo no cara, né). A conversa estava tomando um rumo esquisito e nós resolvemos cortar o assunto. Aí quando estávamos tentando sair o cara segurou nossos braços e começou a chorar. Fiquei com um puta cagaço. Aí o cara disse que ele largou tudo no país dele (que eu fiz questão de não perguntar qual era) e foi pra Alemanha porque uma alemã que ele conheceu, que ele era apaixonado, falou pra ele ir, que ela arranjaria emprego pra ele e tudo o mais. E eu e o Alessandro tentando sair, mas o cara tava segurando a gente. Aí ele disse que ela tinha dado um pé na bunda dele e que ele não tinha mais nada, que ele tava tentando agora achar essa doida. Aí de repente o cara surtou, começou a gritar. Disse que se ele achasse ela ele ia matá-la. Que não importava se ele fosse preso, morto, que ele só queria saber de ver aquela vadia (palavras dele) morta. Aí a gente se soltou, dissemos que uma amiga nossa tava esperando e fomos saindo, o cara tentou falar mais alguma coisa mas aí nós dois ja tínhamos picado o pé na mula...
Dá pra acreditar num negócio desses???Aí só por precaução, avisamos a polícia da estação central o que tinha acontecido e eles ficaram de verificar. Puta medo do cão. Abaixo segue um vídeo de um boneco de ventríloco chamado Achmed, o homem-bomba morto. Na hora a imagem do Boneco Achmed veio na minha cabeça, o cara parecia muito ele, tanto nas feições quanto no comportamento. Lá vai:



E vocês se lembram que a mulher tinha dito que Stuttgart era uma das cidades mais seguras da Alemanha....Sei...

Abraços e Beijos

Victor

P.S. Amanhã eu viajo, ficarei um tempinho sem escrever, mas não me abandonem!!!