sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Tem Cerveja????

Existem coisas que só acontecem na Alemanha mesmo. Um tempo atrás estava eu conversando com o Florian na cozinha. Já era tarde da noite, dia de semana, com neve caindo, um frio do Capeta, quando de repente toca a campanhia. Eu olhei pra ele, ele olhou pra mim, os dois com aquela puta cara de "quem que esse babaca chamou pra casa à uma hora dessas". Perguntei se ele estava esperando alguém, ele disse que não e fui abrir a porta. Na minha frente estavam duas meninas ensopadas (tava nevando e chovendo ao mesmo temo), com neve no corpo....aquele nariz vermelho típico do frio...aí eu perguntei que que elas queriam e elas me perguntaram se a gente tinha algumas cervejas. Eu perguntei "mas cerveja agora???como assim???". Elas falaram que estavam passando pela rua e que queriam tomar uma cerveja, e viram a luz acessa e resolveram perguntar se a gente tinha algumas cervejas, que elas compravam da gente. Nós não tínhamos, mas tínhamos um vinho e dissemos isso pra elas. Elas compraram o vinho, pediram pra gente abrir pra elas e foram embora.
Esse caso é tão inconcebível no Brasil de tantas formas que eu fiquei admirado. Primeiro, não haveria neve (pelo menos não na maior parte do Brasil, na maior parte do ano, e mesmo nos lugares que tem "neve" aquilo não é neve de verdade); Segundo, que duas meninas não estariam andando sozinhas de madrugada (de novo, pelo menos não na maior parte do Brasil, e com certeza não em São Paulo); Terceiro que, mesmo que essas duas situações impossíveis acontecessem, elas não sentiriam vontade de beber cerveja numa noite de -2 ou - 3 graus. Quarto, mesmo se elas tivessem essa vontade, não parariam na casa de estranhos para pedir por cerveja (pelo menos não estando sóbrias, como aquelas duas estavam. Mas pelo jeito não por muito tempo); Quinto, se tudo isso acontecesse, elas não trocariam cerveja por vinho, jamais.
Mas, como já disse milhões de vezes antes, estou em outro país, e procuro não ficar chocado com certas coisas, mas sim achar graça de tudo e em todas as situações.
Convenhamos, foi engraçado, não foi???

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Gelo e Guerra

Ontem foi um dia gelado. Foi também um dia de novidades e um dos mais divertidos desde que eu cheguei.
Tudo por causa da raspadinha-que-cai-do-céu-sem-groselha-e-leite-condensado. Foi o segundo dia seguido de neve aqui em Tübingen e, dessa vez, nevou mesmo. De 15 a 20 cm. E isso quer dizer que era hora de passar frio...De tarde eu e uns americanos fomos à uma montanha que fica aqui do lado de Tübingen andar um pouco. É muita pretensão chamar aquele morrinho de "montanha", mas é um dos pontos mais altos da cidade. Muito bonito, muito frio e muito divertido.
Estávamos nós andando e de repente (DE.....REPENTE!!!) eu vi umas criancinhas brincando na neve. Brincando mesmo....com trenózinho, deslizando em tampa de lixo e tudo o mais. Como as tampas de lixo estavem em falta, resolvi tentar do jeito tupiniquim mesmo.

O resultado foi melhor do que o esperado, a neve é realmente macia, só que mais gelada do que a gente imagina. Mas como eu estava com roupa própria (E tênis de inverno, impermeável) achei que podia continuar me divertindo. Aí eu resolvi rolar. De lado mesmo, sem pudores.


Como pode ser visto na foto acima, a neve gruda. E eu não contava que um pouco de neve fosse entrar na minha cueca. Sem entrar em maiores detalhes, posso descrever a sensação de "incômoda". Depois de tentar tirar a neve de mim (mas não de dentro da cueca, pois sou um rapaz acanhado e não faria isso na frente dos outros), andamos mais um pouco até o ponto de ônibus pois já estava ficando escuro (4:30 pm).


Aí sim começou a bater um frio. Como o flagrante da foto abaixo mostra, eu ficava tentando esquentar as orelhas toda hora (acharam que eu não queria ouvir o que eles estavam falando, né?). Isso porque sem você perceber você pára de sentir as orelhas. Mas, ao contrário do que eu achava, não sentir as orelhas não quer dizer que você não sente dor. Elas doem, mas você não sabe bem o que está acontecendo. Uma sensação muito estranha...



Calma, a postagem não acabou aqui. Essa foi a parte do "Gelo" (Se você costuma ler o título das coisas que você lê, então sabe do que eu estou falando. Se não, "Gelo" é a primeira palavra do título dessa postagem). A parte da "Guerra" ficou para quando eu cheguei em casa. Obviamente não estou falando da Guera do Iraque. Nem da do Afeganistão e muito menos das constantes invasões russas na Geórgia (Aliás, agora tenho uma amiga da Geórgia. Estranho, né? Eu sei...). Estou falando da famigerada (olha o vocabulário erudito...) guerra de bolas de neve.
Ao chegar em casa, estavam a Andrea e o Florian conversando e eu me juntei a eles. Quando eu contei que eu tinha pulado na neve e tudo o mais, eles perguntaram se eu já tinha feito um boneco de neve. Claro que a resposta foi "não". Então saímos para fazer o boneco. Ainda bem que eu não tenho fotos, porque ficou muito feio. Apesar de anos de treinamento, esses dois não sabem fazer um boneco de neve bonitinho, que nem a gente vê nos filmes. Mas eu aprendi uma coisa interessante. Lembram que no "Pica-Pau" vem aquela bolinha de neve pequenininha e vai rolando e vai crescendo? Eu sempre achei aquilo a maior balela, mas estava errado. É assim mesmo que se faz a base do boneco de neve. Eu achei que tinha que juntar um monte de neve e ir socando atá ficar com a forma que se deseja. Mas não. Eles fazem uma bolinha pequena de neve e começam a rolar ela pelo chão (chão com neve, óbvio). Por onde a bola passa vai grudando mais e mais neve, até que em 5 minutos já está um bola com quase um metro de altura.
Bom, depois de falharmos na montagem do boneco de neve, alguém começou a atirar bolas de neve no outro e aí virou baixaria...De repente começamos jogar as bolas nas janelas dos outros apartamentos e o pessoal começou a descer e a participar da guerrinha, até que uma hora tinha umas 30 pessoas brincando. Foi muito empolgante e eu também descobri que bola de neve não é macia porra nenhuma. É bem pesadinha e quando você toma uma na cabeça não é nada legal. Mas faz parte do jogo. E quando te acertam no corpo você nem sente, pois está vestindo tanta roupa grossa que o impacto é todo absorvido.
Para finalizar segue uma foto da cidade, sob a neve.


E hoje aconteceu algo muito engraçado comigo e que só podia acontecer na Alemanha mesmo. Não vou contar agora pois a postagem já está muito grande. Mas em breve contarei o "causo" ocorrido.

Até.

domingo, 16 de novembro de 2008

Running Dinner

Domingo passado foi um dia interessante. No lugar onde eu moro há 5 predinhos de 3 andares cada. Cada andar é um apartamento, cada apartamento tem 6 pessoas. Nesse dia ia ter o tal do "Running Dinner". Esse evento é um jantar com o intuito de fazer com que as pessoas que moram aqui se conheçam melhor e fiquem mais amigos. Cada apartamento é dividido em três duplas e cada dupla fica responsável por fazer uma das três refeições: Entrada, Jantar e Sobremesa. Assim, quem faz a entrada recebe outras duas duplas de outros apartamentos enquanto as duas duplas que moram com ela vão comer em outros apartamentos.
Eu fiz dupla com o Christian, e a gente ficou responsável pela sobremesa. Primeiro fomos comer a entrada em um outro apartamento com um pessoal que eu não conhecia, o que foi muito bom. Comemos um tomate recheado com queijo, milho, ervilha etc e umas torradinhas com patê de queijo e pimentão. Conversamos muito, bebemos um vinho e depois fomos comer a janta em outro apartamento. A janta não foi muito meu estilo. Foi uma macarrão com um molho amarelo estranho e salada de alface picada. O estranho é que se come tudo junto. A salada com o macarrão. Estranho, né?!?!
Bom finalmente fomos comer a sobremesa. Eu e o Christian fizemos um strudel de maçã para se comer com sorvete de creme e um musse de chocolate...ficou muito bom. Comemos com dois alemães e duas espanhloas gente boa. Conversamos mais um pouco, bebemos mais outro pouco e depois fomos para a festa.
Aqui na "comunidade" temos um salão de festas bom, e depois que todos comeram as sobremesas fomos todos para lá e ficamos todos os moradores conversando até tarde da noite.
Foi muito legal e mostra bem como os estudantes daqui são. Basicamente estão todos sozinhos aqui, então eles se unem bastante, fazem muitos jantares e festas, para ficar mais próximos uns dos outros.
Quem fala que os alemães são frios, nunca viveu aqui em Tübingen.