segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Gelo e Guerra

Ontem foi um dia gelado. Foi também um dia de novidades e um dos mais divertidos desde que eu cheguei.
Tudo por causa da raspadinha-que-cai-do-céu-sem-groselha-e-leite-condensado. Foi o segundo dia seguido de neve aqui em Tübingen e, dessa vez, nevou mesmo. De 15 a 20 cm. E isso quer dizer que era hora de passar frio...De tarde eu e uns americanos fomos à uma montanha que fica aqui do lado de Tübingen andar um pouco. É muita pretensão chamar aquele morrinho de "montanha", mas é um dos pontos mais altos da cidade. Muito bonito, muito frio e muito divertido.
Estávamos nós andando e de repente (DE.....REPENTE!!!) eu vi umas criancinhas brincando na neve. Brincando mesmo....com trenózinho, deslizando em tampa de lixo e tudo o mais. Como as tampas de lixo estavem em falta, resolvi tentar do jeito tupiniquim mesmo.

O resultado foi melhor do que o esperado, a neve é realmente macia, só que mais gelada do que a gente imagina. Mas como eu estava com roupa própria (E tênis de inverno, impermeável) achei que podia continuar me divertindo. Aí eu resolvi rolar. De lado mesmo, sem pudores.


Como pode ser visto na foto acima, a neve gruda. E eu não contava que um pouco de neve fosse entrar na minha cueca. Sem entrar em maiores detalhes, posso descrever a sensação de "incômoda". Depois de tentar tirar a neve de mim (mas não de dentro da cueca, pois sou um rapaz acanhado e não faria isso na frente dos outros), andamos mais um pouco até o ponto de ônibus pois já estava ficando escuro (4:30 pm).


Aí sim começou a bater um frio. Como o flagrante da foto abaixo mostra, eu ficava tentando esquentar as orelhas toda hora (acharam que eu não queria ouvir o que eles estavam falando, né?). Isso porque sem você perceber você pára de sentir as orelhas. Mas, ao contrário do que eu achava, não sentir as orelhas não quer dizer que você não sente dor. Elas doem, mas você não sabe bem o que está acontecendo. Uma sensação muito estranha...



Calma, a postagem não acabou aqui. Essa foi a parte do "Gelo" (Se você costuma ler o título das coisas que você lê, então sabe do que eu estou falando. Se não, "Gelo" é a primeira palavra do título dessa postagem). A parte da "Guerra" ficou para quando eu cheguei em casa. Obviamente não estou falando da Guera do Iraque. Nem da do Afeganistão e muito menos das constantes invasões russas na Geórgia (Aliás, agora tenho uma amiga da Geórgia. Estranho, né? Eu sei...). Estou falando da famigerada (olha o vocabulário erudito...) guerra de bolas de neve.
Ao chegar em casa, estavam a Andrea e o Florian conversando e eu me juntei a eles. Quando eu contei que eu tinha pulado na neve e tudo o mais, eles perguntaram se eu já tinha feito um boneco de neve. Claro que a resposta foi "não". Então saímos para fazer o boneco. Ainda bem que eu não tenho fotos, porque ficou muito feio. Apesar de anos de treinamento, esses dois não sabem fazer um boneco de neve bonitinho, que nem a gente vê nos filmes. Mas eu aprendi uma coisa interessante. Lembram que no "Pica-Pau" vem aquela bolinha de neve pequenininha e vai rolando e vai crescendo? Eu sempre achei aquilo a maior balela, mas estava errado. É assim mesmo que se faz a base do boneco de neve. Eu achei que tinha que juntar um monte de neve e ir socando atá ficar com a forma que se deseja. Mas não. Eles fazem uma bolinha pequena de neve e começam a rolar ela pelo chão (chão com neve, óbvio). Por onde a bola passa vai grudando mais e mais neve, até que em 5 minutos já está um bola com quase um metro de altura.
Bom, depois de falharmos na montagem do boneco de neve, alguém começou a atirar bolas de neve no outro e aí virou baixaria...De repente começamos jogar as bolas nas janelas dos outros apartamentos e o pessoal começou a descer e a participar da guerrinha, até que uma hora tinha umas 30 pessoas brincando. Foi muito empolgante e eu também descobri que bola de neve não é macia porra nenhuma. É bem pesadinha e quando você toma uma na cabeça não é nada legal. Mas faz parte do jogo. E quando te acertam no corpo você nem sente, pois está vestindo tanta roupa grossa que o impacto é todo absorvido.
Para finalizar segue uma foto da cidade, sob a neve.


E hoje aconteceu algo muito engraçado comigo e que só podia acontecer na Alemanha mesmo. Não vou contar agora pois a postagem já está muito grande. Mas em breve contarei o "causo" ocorrido.

Até.

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